LEMOS EM CASA – “Ariadnis” de Josh Martin (TopSeller)

15 Junho, 2020

Mariana Silva, 10.ºA.

Numa das minhas muitas visitas à FNAC, deparei-me com um livro de distinto título, “Ariadnis”. Esta obra destacava-se incontestavelmente nas estantes, fazendo com que todos os livros que a rodeavam parecessem, de alguma forma, desinteressantes. A capa é, indubitavelmente, uma das mais bonitas que já vi em toda a minha vida, sendo a principal razão da enorme curiosidade que sentia de ler “Ariadnis”.

Neste caso, podem, de facto, julgar o livro pela capa, pois tal como a capa é deslumbrante, o que encontramos no seu interior é primoroso e agradável, sobretudo pelo mundo futurístico e fantástico que é descrito ao longo da obra e que me prendeu a atenção mal iniciei as 1.ªas linhas.

O Universo concebido por Josh Martin é baseado no que resta da Terra e da civilização humana após um cataclismo que dizimou praticamente toda a vida existente. Uma pequena comunidade de sobreviventes acaba por alcançar abrigo numa verdejante e paradisíaca ilha. O fosso cultural entre os sobreviventes é gigantesco, pois nem a calamidade que sofreram permite a ultrapassagem destas divergências. Assim, foram criadas duas cidades Metis, dedicada à Natureza (pois ensina que, após a fatalidade, o ser humano deve viver da forma mais ecológica possível) e Athenas, cidade semelhante às cidades humanas antes do cataclismo. Estas cidades são rivais, lutando pela sua supremacia sobre a ilha. As díspares cidades são separadas por Ariadnis, uma terra divina.

Transtornado pelo conflito, o ser divino de Ariadnis decreta que em cada uma das cidades nascerá um escolhido. Ao longo do tempo, são escolhidos bebés/recém-nascidos, que representam a sua cidade, dotados de poderes especiais. Os dois Escolhidos irão confrontar-se no dia do seu décimo oitavo aniversário, num desafio mortal e misterioso que irá decidir qual o povo mais digno de habitar a ilha. Aula e Joomia são as Escolhidas e resta-lhes um ano até ao dia do grande confronto. As duas adolescentes suportam um penoso fardo que preferiam que não tivesse, nunca, recaído sobre elas.

O livro é narrado na primeira pessoa o que permite ao leitor nutrir empatia e amizade pelas personagens, conseguindo entender os seus pensamentos e sentimentos mais íntimos.

Não posso dizer outra coisa além de “Adorei!”. Página após página, devorei este livro em horas, sem qualquer interrupção. Foi o enredo rebuscado e a apresentação dos dois pontos de vista das Escolhidas que me prenderam por completo ao livro. Na verdade, este romance, no início, tende a ser um pouco confuso, porém, após entrarmos no Universo onde se desenrola, passa a fazer muito mais sentido e conseguimos ler e entender mais espontaneamente. Porém e por vezes, tive a sensação que o autor podia ter desenvolvido mais certos aspetos da ação, de forma a explorar mais certas situações que podiam ter-se tornado acontecimentos deveras interessantes de apresentar ao leitor.

Não tenho uma escolhida preferida, pois juntas as protagonistas formam uma dupla que nos conquista num abrir e fechar de olhos. Todas as personagens são cativantes e o leitor vê-se embrenhado/inserido numa genial intriga, da qual não se consegue libertar. Todas as personagens apresentam uma magnífica densidade psicológica e a sua evolução comportamental ao longo da obra é admirável. Ao terminar esta leitura, dei por mim a querer mais deste extraordinário mundo e das suas esplêndidas personagens.

Josh Martin estreia-se com um livro original e primoroso, que apresenta um mundo e personagens memoráveis. Fãs de coleções como “The Hunger Games” e “Divergente” irão, de certeza, gostar desta história tão facilmente como eu gostei!

Recomendo este livro a todos, pois é um livro bastante rebuscado, agradável, que desperta a curiosidade de saber qual será o próximo desafio que as Escolhidas terão de enfrentar e com um ritmo narrativo que prende e cativa o leitor.

O final é surpreendente, mostrando como as pessoas, mesmo com as suas divergências, são capazes de reconhecer o bem maior e ajudar-se mutuamente, o que elevou ao máximo o meu interesse em saber o que se segue no próximo livro, intitulado “Anassa”.

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